A GRANDE ESPERANÇA PORTUGUESA
A estrutura agrária do nordeste brasileiro tem suas origens no período colonial, quando foi instituído o sistema de Capitanias Hereditárias.
Esta esperança se reflete ainda hoje na situação sócio econômica da região, marcada por contrastes que fazem das fazendas agroexporatadoras e da miséria de grande parte de sua população uma realidade, no mínimo, paradoxal.
“No início da colonização do nordeste, as atenções da metrópole e dos grandes fazendeiros se voltavam totalmente para o açúcar, que alcançava ótimos preços nos mercados europeus e gerava alta margem de lucro. Os escravos impulsionavam a rendosa agroindústria do açúcar, trabalhando nos canaviais e engenhos; deviam ainda produzir os alimentos necessários à subsistência dos senhores e agregados e à sua própria sobrevivência. Mas, com a expansão açucareira, os cultivos para consumo local se tornaram cada vez mais importantes e surgiu a necessidade de importar alimentos.
Até meados do século XVII, havia nos poucos núcleos urbanos uma população não muito numerosa, que se dedicava a atividades ligadas ao comércio e à administração e que enfrentava muitas dificuldades para obter os produtos necessários à sua alimentação. O problema foi se agravando à medida que a população aumentava e as cidades cresciam.
O papel secundário que o sistema econômico relegou à agricultura de subsistência contribuiria para um dos problemas mais sérios que o período colonial precisou enfrentar: o abastecimento deficiente e a conseqüente insuficiência alimentar da população. (...)
Assim se configurou o quadro característico da época colonial, que se perpetuou, com agravantes, até os dias atuais. De um lado, uma camada rica e próspera que não é atingida pelas conseqüências da secas e da pequena produção de alimentos e permanece alheia a esses problemas; de outro lado, a camada trabalhadora que não consegue satisfazer nem a mais básica necessidade: a de se alimentar.
Nem todos, porém, conseguiam se empregar. Os rebanhos mobilizavam relativamente poucos trabalhadores, na maioria homens livres, enquanto a produção nos canaviais e engenhos exigia milhares de braços.
O aumento populacional foi acompanhado pela diversificação das atividades econômicas no Sertão semi-arido. A criação de animais deu margem ao desenvolvimento da indústria do charque, a carne seca e salgada, cortada em mantas. A nova atividade visava abastecer, principalmente, um mercado consumidor distante da região, constituído pela população trabalhadora das áreas de mineração do centro-sul, em plena expansão no século XVIII.
Nesse período, com o adensamento da população sertaneja e a conseqüente necessidade de produzir maior quantidade de gêneros alimentícios, o deslocamento dos habitantes diante do avanço da estiagem deixou de representar uma alternativa. Assim, a seca passou a castigar um número cada vez maior de pessoas. Os registros informam que, até meados do século XVIII, a estiagem atingia centenas de milhares de sertanejos. Mas, nas últimas décadas deste século, quando a pecuária nordestina começou a entrar em decadência – e também a indústria do charque, devido à concorrência da carne produzida no sul do país – a seca passou a ser sinônimo de calamidade. (...)
Os flagelos de ordem natural que ocorreram, são em boa medida inevitáveis, mas a maior ou menor gravidade de seus efeitos é determinada pela estrutura socioeconômica.
E qual era a situação social e econômica nos sertões nordestinos, naquele momento? A economia em declínio, desemprego, falta de alimentos, a seca acabando com a pequena produção familiar, centenas de famílias migrando, muita gente ‘se retirando’. Muitos saíam, outros ficavam... não importava. Mesmo assim o sertão continuava a produzir e a gerar lucros.”
(ANDRIGUETTI, Yná. Nordeste: mito e realidade. São Paulo, Moderna, 1996. Coleção Polêmica.)
Compreendendo o texto:
1. Identifique o grave problema que, de acordo com o texto, caracterizou a época colonial do Brasil.
2. Qual fator é apontado como responsável por esse grave problema?
3. Explique o trecho salientado do texto, referindo-se às secas no sertão nordestino.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
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oi, aqui é a margareth da 203, queria saber qual é o trecho do texto salientado, se é o ultimo, que começa com a pergunta, ou outro. Já que a ultima questão pede para ecplicar este trecho salientado.
ResponderExcluironde consigo essas respostas?
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