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domingo, 27 de junho de 2010

INCAS/MAIAS/ASTECAS

1. COMPUTADOR INCA

Eles construíram um dos maiores impérios de sua época, mas não conheciam a escrita. Para registrar suas informações contábeis, os incas utilizavam um sistema de nós feitos em cordas de algodão ou, mais raramente, lã de alpaca. Chamadas de quipus, consistiam, simplificadamente, de uma corda principal da qual pendiam várias outras cordas secundárias, terciárias e assim por diante, como ramos de uma árvore.

Nós e outras modificações feitas nas cordas eram a forma mais comum de registrar dados e eventos significativos como, censos, inventários, tributos e documentos referentes a transações. A corte espanhola chegou a validar alguns desses documentos no início da colonização. Muitos historiadores acreditam até que os quipus eram mais do que simples registros estatísticos. Alguns poderiam descrever histórias e poemas codificados em suas cordas.

Para Gary Urton, professor de Antropologia da Universidade de Harvard, os quipus incas eram uma forma de comunicação codificada numa linguagem binária semelhante à dos computadores. Urton reanalisou o complicado sistema denós e constatou que eles contêm um código binário de sete bits, capaz de processar mais de 1,5 mil unidades separadas de informação. Em busca de uma prova definitiva de sua descoberta, que será detalhada num livro, Urton espera encontrar em breve a sua Pedra de Roseta (uma alusão à pedra que permitiu decifrar a escrita egípcia), um quipu teria sido traduzido para o espanhol cerca de 500 anos atrás.
- Estou otimista sobre encontrarmos um - afirmou Urton, que garante ter localizado no norte do Peru um conjunto de 32 quipus, sendo que um deles poderia ter um texto espanhol equivalente.
Urton descobriu que há, teoricamente, 7 pontos na confecção de um quipu nos quais a pessoa que fazia os nós podia escolher entre duas possibilidades - um código binário de sete bits. Por exemplo, ela poderia tecer uma corda de lã ou de algodão, ou pendurar as cordas pendentes a partir da frente da corda principal ou a partir da parte de trás.
Num código escrito de sete bits, isso daria 128 permutas (o número 2 elevado à sétima potência), mas Urton disse que, devido ao fato de haver 24 cores nos quipus, o número real de permutas seria 1536.
Isso significaria que o código usado pelos incas permitia que eles processassem 1536 unidades de informação, em comparação com as mil estimadas nos sinais cuneifosmes sumérios.
Se Urton estiver certo, os incas não só teriam inventado uma forma de código binário 500 anos antes do evento do computador, mas também o usaram como parte da única linguagem escrita tridimensional do mundo:
- Eles podem tê-los usado para representar um monte de informações. Cada elemento pode ter tido um nome, uma identidade ou uma atividade como parte da narração de uma história.

(Fonte: Jornal Zero Hora)


Questões de interpretação sobre o texto:
1. O que eram os quipus?
2. Qual a finalidade dos quipus?
3. Por que Gary Urton estabelece uma relação entre os quipus e os computadores?
4. Por que é mencionada a Pedra de Roseta?
5. Qual a importância das diferentes cores nas cordas dos quipus?

PARA NOBRES E PLEBEUS

À primeira vista, parece uma pequena lasca de cimento, exceto no meio, onde é marrom. É um pedaço de chocolate do tamanho de uma moeda e com mais de 1,5 mil anos de idade.
Raspado do fundo de um pote de um antigo túmulo maia em Honduras, na América Central, ele está à mostra na exposição Chocolate, no Museu de História Natural, em Nova York, que conta a história e a ciência desse apreciado alimento.
Os resíduos ajudam a completar alguns detalhes da história do chocolate, em bora nem sempre os detalhes sejam aqueles que se espera encontrar. Cameron McNeil, estudante de graduação da City University, coletou os resíduos, incluindo o que está em exposição, de cerâmicas encontradas nos túmulos dos primeiros soberanos de Copán, cidade estado fundada pelos maias no século 5 no atual território de Honduras.
Cameron enviou os resíduos a W.Jeffrey Hurst, cientista senior do centro tecnológico da Hershey, uma das maiores empresas do ramo de chocolates, para descobrir a presença de teobromina, uma molécula similar à cafeína que é uma marca registrada do chocolate.
O chocolate começa como semente da fruta do cacau, planta tropical que possui flores e frutos no tronco. Os maias e seus ancestrais costumavam transformar o cacau em um drinque. Não era o líquido que eles apreciavam, mas a espuma. Em pesquisas divulgadas no ano passado, Hurst encontrou resíduos de cacau em potes anteriores a 66 a.C. - o chocolate que conhecemos atualmente evoluiu apenas após os espanhóis levarem sementes de cacau para a Europa.
Pinturas maias tretratam a elite governante sorvendo espuma de cacau em cálices cilíndricos e altos.
- Era como a champanha que nós tomamos hoje. Nas festas importantes, os maias bebiam seu melhor cacau - diz Dirie Reents-Budet, pesquisador associado ao Centro Smithsonian para Pesquisa de Materiais e Educação.
O pedaço de cacau em exibição em Nova York veio do fundo de um pote achado na tumba do rei de Copán. Dentro do pote, que tem a forma de um cervo, Cameron encontrou uma concha contendo cacau do tamanho de uma mão. Ele imagina que a concha pode ter sido usada para medir a quantidade de pó de cacau.
Curiosamente, o pote em forma de cervo foi o único vasilhame com algum sinal de cacau na tumba do rei. A tumba da rainha, por razões desconhecidas, era muito mais ricamente adornada do que a do rei e continha muito mais cacau. Num pote altamente decorado, restos de cacau secaram e formaram uma fina camada marron que parece originalmente chocolate preto. - Cientificamente, é uma das amostras de chocolate mais importantes do mundo - afirma Cameron.
A amostra ainda não foi testada. Entre outras coisas ela está contaminada com mercúrio do cinabrio que os maias aspergiam em torno de suas tumbas. Cameron examinou o o pólen presente no chocolate, esperando encontrar grãos que revelariam outros ingredientes da bebida. Acabou encontrando capin, pinhas e pólen da planta Typha latifolia, mas nada digno de registro.
- Os maias colocavam com frequência fragrâncias florais na bebida, mas nenhuma das plantas rituais apareceu nessas amostras. - diz Cameron.
Embora bem distribuído, o cacau não cresce tão facilmente, e muitos arqueólogos acreditam que apenas os maias ricos e poderosos poderiam ter acesso a ele. Mas pesquisas realizadas numa vila conhecida como Joya de Ceren, em El Salvador, indicam o contrário. Por volta de 590 d.C., a erupção de um vulcão fez a vila arder, como em Pompéia. Mas em Ceren, as cinzas caíram lentamente, permitindo a fuga dos moradores. Preservadas em cinzas endurecidas estão impressões das plantas que cresciam na cidade.
- EEles tinham cacau crescendo ao redor de seus lares. Pensávamos que pessoas comuns não tinham acesso ao chocolate, mas esse, definitivamente, não era o caso de Ceren. Essa era uma aldeia agrícola, habitada apenas por agricultores - diz David Lentz, cientista do Jardim Botânico de Chicago.
A população de Ceren tinha belas cerâmicas parecidas com as usadas pela elite para moer os grãos de cacau e trensformá-los numa pasta à qual adicionavam baunilha, chili (pimenta) e outros temperos.
- Isso indica que eles eram empregados ativamente em contextos cerimoniais - diz Lentz.
Em alguns mercados no sul do México ainda é possível comprar uma bebida semelhante, chamada popo, a palavra local de fumaça. Os ingredientes mudaram um pouco. Canela é usada em vez de uma planta conhecida como raribea, açúcar em lugar do mel e arroz, em vez de milho.
- Mas a preparação da bebida é basicamente a mesma - diz Nisao Ogataro, professor da Universidade de Vera Cruz (México).

(Fonte: Jornal Zero Hora)

Questões de interpretação sobre o texto:
1. O que foi encontrado por Cameron e onde?
2. O que era apreciado pelos maias? Como foi possível se chegar a esta conclusão?
3. Que outros produtos os maias acrescentavam à bebida?
4. O cacau era consumido apenas pela elite? Justifique.
5. Em que contexto, segundo Lentz, os maias usavam o cacau?


CANIBALISMO DE ASTECAS CHEGAVA A 20 MIL POR ANO

Os arautos da correção política não se cansam de condenar a barbárie, a brutalidade e a selvageria dos europeus que chegaram ao novo mundo, acarretando a destruição de civilizações como a inca ou a asteca.
Além de ignorar o fato simples de que não existe processo histórico pacífico isento de violência, fazem questão de ignorar o horror de muitas civilizações autóctones do continente americano. Afinal, cabe lembrar que Hernán Cortez e seus companheiros, embora provenientes de um mundo essencialmente violento e cruel onde, por exemplo, queimavam-se vivos hereges e gente acusada de bruxaria aos milhares, ficaram francamente chocados com o que viram em Tenochtitlán.
E o que viram lá? Ao que consta, monumentos compostos de crânios humanos, dezenas de milhres deles. Nem viram apenas: cheiraram também. As pirâmides, tão geométricas, simétricas e harmônicas fediam mais que um matador e, segundo os espanhóis, era precisamente o que eram: matadouros.
Sabe-se que o centro da religião asteca era o sacrifício humano, mas a escala em que era realizado aponta para uma realidade ainda mais sinistra. Segundo palavras do padre espanhol Sahgún, o mais minucuso historiador de então da civilização indígena do México, cada descrição do sacrifício humano no topo das pirâmides - onde a vítima segura por quatro sacerdotes, tinha o peito aberto por um quinto com uma faca de obsidiana, e seu coração pulsante arrancado -, após ser o cadáver arrojado escada abaixo culminava com um singelo: " Después, lo cocían y lo comiam" (Depois, cozinhavam-no e o comiam").

Carne humana era muito apreciada com tomate, nativo da região, e provavelmente temperada com chili. E a quantidade em que era posta em circulação merece ser qualificada de industrial. Num festival de quatro dias, em finais do século 15, os astecas teriam "abatido" vinte mil prisioneiros. Parece que este era o consumo anual médio só na capital.
Jacques Soustelle, especialista em astecas e o último governate da Argélia francesa, chefe da OAS (organização do Exército Secreto) defende seus nativos contrapondo o elevado sentido religioso do sacrifício à bárbara caça ocidental às bruxas.
Mas os números desmentem. Em três séculos de caça, dificilmente foram executadas mais de cem mil bruxas, ou seja, o equivalente ao consumo de cinco anos de carne humana na capital.
Soustelle lembra também quanto escandalizou os astecas o fato de os espanhóis tentarem matar o maior número possível de pessoas no campo de batalha, em vez de procurarem capturar vivo seus prisioneiros. Explica-se: na falta de refrigeração, as vítimas tinham de ser levadas vivas ao abate. ou melhor, ao ritual.
Os astecas inclusive promoviam suas numerosas guerras com a única finalidade de capturar prisioneiros para seus rituais sofisticados que incluíam, em um de seus meses, o esfolamento após o qual os sacerdotes se vestiam com a pele de suas vítimas.
Tais práticas explicam em boa parte por que os povos sujeitos achavam quem quer que fosse, até mesmo os espanhóis, melhores do que os astecas. Se a cilização européia é canibal num sentido figurado, a mesoamericana o era literalmente, com unhas e dentes literais.
Antropólogos como Marvin Harris e Michael Harner explicaram, numa polêmica famosa dos anos 70, as raízes desse canibalismo na ausência crônica de proteínas animais no vale do México, o que, contudo, não torna mais palatável o fenômeno.
O levantamento desses fatos complica um pouco a visão paradisíaca do continente antes dos conquistadores com a constatação de que, para muitos nativos, o paraíso começava no topo de uma pirâmide e terminava no estômago de algum asteca.

(Fonte: Nelson Ascher, Jornal Folha de São Paulo)

Questões de interpretação sobre o texto:
1. Como era o mundo de Cortez?
2. Por que Cortez chocou-se em Tenochtitlán ?
3. Segundo o texto, como era o ritual religioso asteca?
4. De que outro ritual asteca fala o texto?
5. Como alguns antropólogos tentam explicar o canibalismo asteca?

2 comentários:

  1. Professora escolhi astecas, se foi um bom assunto pra mim ler antes da janta eu acho que não, mas foi muito interessante. Só que nojento :P
    beijos
    Ana Carolina 202

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  2. Eu achei tão interessante os três assuntos que acabei respondendo o questionário dos três, mas o que mais chamuscou meus olhos foi o canibalismo asteca, haha, parece até filme de terror da história, muito digno-s.
    Andy.

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